O futebol é uma caixinha de surpresas. E você já ouviu essa expressão milhares de vezes, desde que o comentarista Benjamin Wright a criou (ele era o pai do ex-árbitro José Roberto Wright, responsável por algumas surpresas também). E essa semana, a caixinha ganhou dois novos ingredientes: uma tentativa acelerada de transformar os clubes em empresas e uma pesquisa mostrando que somos um país do futebol em que 22% dos brasileiros não torcem por time algum.

Pela pressa de quem está querendo aprovar o novo projeto, começo por ele. E confesso ter muitas dúvidas sobre a proposta. Aliás, até alguns clubes têm, principalmente aqueles que não veem muita vantagem em deixar de ser uma associação esportiva, em pagar muitos mais impostos – e mais elevados – e em ver alguns outros serem beneficiados com isenção de dívidas e parcelamentos, tudo provocado por administrações malfeitas. E que podem se repetir, independentemente de o clube virar ou não empresa.

Não custa lembrar que o futebol brasileiro não é feito apenas por 12 grandes clubes, nem pelos 20 que atualmente estão na Série A. Se a ideia é fazer com que todos tenham o mesmo formato, mas ao mesmo tempo se admite que muitos clubes não terão como adotar um modelo empresarial, como fazer a cada ano quando quatro clubes caem de divisão e outros quatro sobem? A cada ano eles mudam de modelo? É bom esclarecer isso tudo, pra não encher a caixinha.

Já a pesquisa encomendada pelo jornal “Folha de São Paulo” não apresenta novidades entre os clubes mais queridos pelos brasileiros que curtem futebol – o Flamengo aparece em primeiro, com 20%; o Corinthians vem em segundo, com 14%. E essa é uma novidade: a diferença entre eles está maior que a margem de erro, de 2%, o que não acontecia numa pesquisa desde 2002.

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O que chama a atenção são os 22% que não torcem por time algum, ou seja, mais de um quinto da população. Isso leva a dois pensamentos: 1) como ser o país do futebol, se tem tanta gente por aí que nem acompanha? 2) o que os clubes podem fazer para conquistar essas pessoas?

Mais do que pensar em virar empresa, um clube, hoje, deveria estar debruçado sobre os números pensando em como crescer entre esse público. Em especial aqueles que, incrivelmente, aparecem abaixo dos 2% que dizem torcer pela seleção (!!!) – ou seja, também não torcem por clube algum. E nesse caso aparecem Bahia e Vitória; Sport e Santa Cruz; Fortaleza e Ceará; e, acreditem, Botafogo e Fluminense, eles mesmos que se colocam entre os 12 grandes do Brasil.

Benjamin “was (W)right”. O futebol é uma caixinha de surpresas.

Edição: Sergio du Bocage

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